Flexografia: o que é, como funciona e por que domina a impressão de embalagens

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A flexografia é um sistema de impressão industrial amplamente empregado na produção de embalagens, rótulos e etiquetas, caracterizado por sua capacidade de operar em altas velocidades, imprimir sobre uma grande variedade de substratos e manter estabilidade de processo mesmo em ambientes produtivos complexos. Embora sua origem esteja ligada à tipografia tradicional, a flexografia contemporânea é um processo altamente tecnológico, fortemente dependente de engenharia de materiais, controle físico-químico da tinta, precisão mecânica e automação digital.

Com a evolução das chapas fotopoliméricas, dos sistemas CTP (Computer-to-Plate), dos anilox de alta definição e dos métodos avançados de controle de cor, a flexografia deixou de ser um processo empírico para se consolidar como um sistema previsível, mensurável e integrado aos conceitos da Indústria 4.0.

1. Conceito técnico da flexografia

Do ponto de vista técnico, a flexografia é um processo de impressão rotativo e direto, no qual a imagem é transferida da matriz de impressão diretamente para o substrato. A matriz é uma chapa flexível em relevo, normalmente fabricada em fotopolímero, montada sobre um cilindro porta-chapa. As áreas em relevo da chapa recebem tinta e entram em contato com o material a ser impresso, enquanto as áreas não-impressoras permanecem abaixo do plano de contato.

O elemento central que diferencia a flexografia de outros processos gráficos é o sistema de dosagem de tinta por meio do rolo anilox. Diferentemente de sistemas que utilizam múltiplos rolos de entintamento, a flexografia emprega um único rolo gravado com células microscópicas, responsável por transferir um volume extremamente preciso e repetível de tinta para a chapa. Essa característica confere ao processo um alto grau de controle, desde que todos os parâmetros estejam corretamente ajustados.

2. Estrutura do processo flexográfico

O funcionamento da flexografia pode ser compreendido como a interação controlada entre quatro sistemas fundamentais: a matriz de impressão, o sistema de tinta, o sistema de transferência e o substrato. Qualquer variação significativa em um desses elementos impacta diretamente o resultado final da impressão.

A chapa flexográfica é produzida a partir de arquivos digitais tratados na etapa de pré-impressão. Após a separação de cores e definição da estrutura de retícula, o arquivo é gravado diretamente na chapa por meio de equipamentos CTP Flexo. Esse método elimina o uso de filmes, reduz variabilidades e permite maior precisão na formação do ponto, especialmente em altas luzes e meios-tons. A geometria do ponto flexográfico, sua altura, base e estabilidade mecânica são fatores determinantes para o controle de ganho de ponto e uniformidade ao longo da tiragem.

O rolo anilox atua como o principal elemento de controle de volume de tinta. Fabricado geralmente em cerâmica e gravado a laser, o anilox possui milhões de microcélulas distribuídas uniformemente por sua superfície. O volume dessas células, associado à sua lineatura e geometria, define a quantidade exata de tinta transferida para a chapa a cada rotação. Em flexografia moderna, o anilox é tratado como um componente de alta precisão, comparável a um instrumento de medição, e sua seleção correta é essencial para a estabilidade do processo.

A tinta flexográfica, por sua vez, apresenta baixa viscosidade em comparação a outros processos gráficos. Essa característica é necessária para permitir a transferência eficiente através das microcélulas do anilox e garantir secagem rápida após a impressão. O controle da tinta envolve variáveis físico-químicas como viscosidade, pH, temperatura e tensão superficial, que devem ser monitoradas continuamente para evitar variações de cor, falhas de cobertura ou instabilidade na impressão.

Transferência da imagem e pressão de impressão

Durante a impressão, a tinta é transferida do reservatório para o anilox, do anilox para a chapa e, finalmente, da chapa para o substrato. Esse processo ocorre sob pressões cuidadosamente controladas. Diferentemente de abordagens antigas, a flexografia moderna trabalha com o conceito de pressão mínima necessária, evitando a compressão excessiva da chapa, que poderia deformar o ponto, gerar ganho indesejado e comprometer a reprodução tonal.

A precisão mecânica dos cilindros, o paralelismo entre anilox, porta-chapa e cilindro de contrapressão, além da estabilidade dimensional do equipamento, são fatores críticos para garantir um registro adequado e uma transferência uniforme da imagem.

Substratos e versatilidade do processo

Uma das principais razões para a ampla adoção da flexografia é sua capacidade de imprimir sobre uma grande variedade de substratos, incluindo papéis, cartões, filmes plásticos, laminados multicamadas, alumínio e papelão ondulado. Essa versatilidade é resultado direto da flexibilidade da chapa, da baixa pressão de impressão e da adaptação do sistema de tinta às características superficiais de cada material.

Na indústria de embalagens, essa característica é particularmente relevante, pois permite atender diferentes segmentos, como alimentos, bebidas, cosméticos, farmacêutico e produtos industriais, respeitando requisitos técnicos, regulatórios e de segurança.

Controle de processo e previsibilidade

A flexografia contemporânea é um processo orientado por dados. A previsibilidade do resultado depende do controle rigoroso de parâmetros como densidade óptica, ganho de ponto, variação de cor (Delta E), viscosidade da tinta e registro entre cores. Instrumentos de medição, como densitômetros e espectrodensitômetros, são parte integrante da rotina produtiva, permitindo ajustes rápidos e redução de desperdícios.

A integração entre pré-impressão digital, gravação de chapas por CTP, controle de tinta e monitoramento em linha transforma a flexografia em um sistema altamente repetível, capaz de reproduzir resultados consistentes ao longo do tempo e entre diferentes lotes de produção.

3. Aplicações industriais da flexografia

Atualmente, a flexografia é o processo dominante em segmentos como embalagens flexíveis, rótulos autoadesivos, etiquetas, sacarias industriais e papelão ondulado. Sua capacidade de operar em altas velocidades, aliada à eficiência energética e à redução de resíduos, reforça sua posição estratégica na indústria gráfica global.

Considerações finais

A flexografia não deve ser entendida apenas como um método de impressão, mas como um sistema técnico integrado, no qual cada componente exerce influência direta sobre o resultado final. O sucesso desse processo está na compreensão profunda de seus fundamentos, na correta seleção de equipamentos e insumos e, principalmente, no controle rigoroso das variáveis de produção.

Empresas que investem em tecnologia, padronização e controle de processo conseguem extrair da flexografia seu máximo potencial, alcançando altos níveis de qualidade, produtividade e competitividade no mercado de embalagens e impressão industrial.

Fontes e referências

KIPPHAN, Helmut. Handbook of Print Media. Springer, 2001.
FLEXOGRAPHIC TECHNICAL ASSOCIATION (FTA). Flexography: Principles & Practices.
ISO 12647-6:2012. Process control for the production of half-tone colour separations, proof and production prints – Flexographic printing.
FIRST – Flexographic Image Reproduction Specifications & Tolerances. Flexographic Technical Association.
CLEMENT, Jean. Flexography: Principles and Practices. Pira International.

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